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Onde foi que eu errei?


09/10/2019

Hoje vim contar para vocês sobre alguns erros que cometi no começo da minha carreira como palestrante, para que sirva de exemplo do que vocês não devem fazer.

Antes de qualquer coisa, acredito que palestrar é muito mais do que subir em um palco e entregar um recado. Para mim é despertar nas pessoas elementos que elas não haviam pensado antes daqueles 60 minutos que estamos frente a frente.

Quando fazemos uma palestra precisamos provocar as pessoas para que elas absorvam um conteúdo diferente, olhando de outra forma para o mundo, carreira ou negócios, independente da sua missão quando você sobe no palco e qual conteúdo que você deseja transmitir.

Acredito de verdade que a única pessoa que não é protagonista naquele momento é o palestrante. E esse foi um dos erros que, ao longo da minha jornada como palestrante, cometi algumas vezes, porém, quando parei de cometê-lo, minha carreira simplesmente decolou.

Eu percebi que todo palestrante que deseja ser protagonista comete um erro gravíssimo: falar somente aquilo que as pessoas querem ouvir, tentando agradar as pessoas a todo momento, deixando o conteúdo e a interação de lado para apresentar aquilo que gera mais impacto, humor e risadas. Muitas vezes, extrapolam o conteúdo com vídeos, imagens ou histórias que nada acrescentam, de alguma forma arrancam sorrisos, choros e aplausos, mas no final das contas as pessoas só saem dizendo “nossa que palestra legal” e nunca “nossa, como eu aprendi”.

Ao longo da minha carreira eu aprendi que o bom palestrante precisa ENSINAR, subir ao palco para instruir seu público. Ensinar é falar para as pessoas o que elas precisam ouvir e que muitas vezes, naquele momento, não é o que elas querem escutar. Em algumas circunstâncias, é preciso abandonar alguma história que o palestrante goste muito para que fale alguma história que interesse para as pessoas.

O palestrante muitas vezes têm que encarar minutos de uma palestra monótona para que ele consiga embasar um conteúdo necessário. É preciso abrir mão de uma dinâmica que é legal para que a informação seja rica, esse é nosso maior desafio, fazer com que as pessoas a partir do nosso conteúdo se interessem em continuar nos ouvindo.

Não é necessário abusar do humor, dinâmica ou grito de guerra, você precisa simplesmente abusar de um conteúdo levado com critério. Hoje, ao elaborar uma palestra, minha primeira pergunta é: O QUE ESSAS PESSOAS PRECISAM OUVIR? E quando penso nisso eu elaboro um conteúdo, que por mais que seja denso, possa fazer com que as pessoas ouçam de forma leve, consistente e interativa. Para isso, preciso ser criativo, fazer com que o meu conteúdo seja levado de forma única, exclusiva, contemporânea, didática e inovadora. Este é o meu maior desafio.

Nunca subo no palco buscando o aplauso, subo para provocar as pessoas, entregando o que elas precisam, muitas vezes não sou aplaudido e isso não me importa, porque o meu referencial de uma boa palestra é: subir no palco, entregar um conteúdo rico, ensinar as pessoas e ver que elas estavam concentradas e aprendendo comigo. Isso é mais importante do que um público que não aprende nada, mesmo que seja um público extremamente impactado emocionalmente, que me aplaude de pé, mas que no final as contas não absorve nada, nesse caso o único que ganhou foi meu ego.

Meu maior erro foi todas as vezes que subi no palco querendo ser protagonista, sendo muito aplaudido no final, mas não sendo lembrado depois. Só é lembrado aquele que serve. Subo no palco para servir as pessoas, com empatia e falando do problema delas, entregando uma solução, aí sim as pessoas lembram de mim o tempo todo.

O bom palestrante torna sua plateia protagonista, não é ele que precisa ser interessante, é preciso que ele seja interessado nas pessoas.

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