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A fase do “quase lá” é o momento mais delicado da sua carreira.


15/05/2018

Você é muito bom no que faz, tem formação, experiência e desenvoltura. Conhece os caminhos, tem as respostas e por isso é procurado constantemente por seu conhecimento na área. Já participou de diversos cursos e, em muitos deles, se imaginou fazendo melhor do que aquele especialista que o está ministrando. Em resumo, você é o profissional certo!

A questão é que mesmo imbuído de todos os predicados necessários, a sua carreira não acontece da maneira como, em seu ponto de vista, deveria acontecer. Parece que quando você está quase lá, algo acontece e as coisas desaceleram. E esse “quase lá” parece uma constante em sua vida. Os anos passam, você continua evoluindo, mas o “quase lá” continua lhe perseguindo.

Você é um profissional engajado, mas as oportunidades não surgem; a sua entrega é exemplar e mesmo assim a sua empresa não cresce; você trabalha duro e as vendas não são suficientes para atingir as metas; você é um atleta dedicado, talentoso e as conquistas insistem em não chegar; você se esforça o quanto acredita ser o necessário, mas não ultrapassa a linha do “quase lá”.

Como explicar? O que ainda falta fazer?

Essas são perguntas que você deve estar se fazendo nesse momento. E com base nessas indagações, outras perguntas surgem quase que instantaneamente: será que não estou fazendo o suficiente? Será falta de sorte? Será que estou mesmo na profissão certa? Será que preciso aprender algo novo? Ou seja, cada vez que você se questiona, mais perguntas surgem.

Além disso, uma sensação de frustração toma conta. Você se sente incompetente, por vezes fraco e o seu sistema interno – me refiro aos seus pensamentos – entra em ação e faz o que de melhor sabe fazer: te proteger! E para te proteger, age de duas formas:

  1. Diminui as suas expectativas: faz você mentir para você mesmo, dizendo que está satisfeito com o que conquistou, que não precisa de mais para viver, que a vida é assim mesmo e por ai vai. Um passo perigoso para uma falsa sensação de alívio.
  2. Julgamento do alvo: isso é muito comum. Para diminuir a sua frustração, você começa a julgar e questionar que chegou lá antes de você. Sempre há uma razão ruim para desmerecer o sucesso alheio: “ele tem muito dinheiro para investir”; “é um projeto de marketing”; “faz promessas que não pode cumprir” E quando você se permite refletir sobre isso percebe que, ao seu ver, ninguém é merecedor. Tem algo errado nesse pensamento, não?

Lembre-se, essas são ações de defesa do seu sistema e apesar de bem-intencionadas, servem apenas para mascarar a sua frustração. No fundo, não ajuda em nada.

Então, como agir na fase do “quase lá!”?

Vou lhe trazer a minha experiência de 20 anos entre o meu ingresso na área educacional até os tempos atuais. Dessas duas décadas, uma foi exclusivamente dedicada ao desenvolvimento de pessoas. E o que vou dizer vai lhe incomodar muito, portanto, decida continuar ou não essa leitura.

A fase do “quase lá!” explica muita coisa, mas vou me ater apenas aos fatores que você pode controlar. Se você acredita em destino, sorte, azar, carma, castigo, escolha divina etc, embora eu respeite a sua crença, seria impossível traçar qualquer plano contra o acaso. Novamente, não me entenda mal, não estou desmentindo nenhum desses eventos, apenas trabalhando com aquilo que temos alguma gestão.

Quero começar essas explicações mudando a pergunta. Ao invés de perguntar “o que ainda falta fazer?”, pergunte-se: por que eu mereço o que estou colhendo?

Desculpe a pergunta fria e direta, mas não tenho te furtar dessa reflexão. Você pode se sentir injustiçado pelos resultados atuais da sua carreira, mas é responsável por essa colheita. Sim, você é o único responsável por essa colheita.

Dói a constatação de que merecemos o que colhemos e por esse motivo vivemos fugindo dessa pergunta, pois não queremos acessar a resposta. Mas ela está aí, pode apostar. Você não precisa responder isso para ninguém, é você com você mesmo. Vá fundo, reflita. Vai doer, mas, sem dor não existe desenvolvimento.

Vou te ajudar com algumas perguntas complementares: quando você deixou de investir nos seus relacionamentos? Quando você se desconectou da sua missão? Quando parou de ser protagonista da sua carreira? Quando foi que se vendeu? Quando foi que você deixou de acreditar na sua capacidade? Quando você começou a invejar ao invés de aplaudir? Quando você se apaixonou mais problemas do que oportunidades? Quando você permitiu que o seu brilho se apagasse? Quando você começou a se esconder atrás de desculpas?

Muitas perguntas desconexas com um único objetivo: provocar o seu sistema a assumir a responsabilidade. Não acesse essas perguntas com descaso, muitos menos com uma postura de desistência, dizendo para si mesmo que não sabe. Pergunte-se até se convencer da resposta, por mais que doa. E para der certo, tem que doer.

Isso é apenas uma fração do que preciso te alertar. O que vou relatar a partir de agora certamente será esclarecedor e, para isso, está recheado de verdades, sem filtros, pois não temos tempo para isso. A sua carreira não tem tempo para isso.

Eu tenho falado muito sobre engajamento – a sua ciência, etapas, formas de conquista e quero, a partir de agora, falar sobre onde colocar toda essa energia para funcionar. Pois preciso te fazer um alerta – é possível ser engajado e ainda derrapar na sua carreira. Engajamento sem estratégia é um grande desperdício de energia.

E a melhor estratégia é aquela que tem como alvo o nosso público-alvo. Aliás, qual é o seu público-alvo? Qual é o seu mercado? Quem são os seus clientes? Quem consome o seu trabalho? Quem pode valorizar o seu passe? Perguntas simples e complexas que te ajudam a identificar para onde olhar. Agora, independente do seu público-alvo vou direcionar o seu olhar para o lugar certo.

Primeiro: pare de ostentar os problemas. Não suportamos mais pessoas que esbravejam, que adoram trazer os problemas à tona, que não vivem sem reclamar todos os dias e o pior, que adoram se colocar como se nada tivessem a ver com isso. Chega! Por mais competente que você seja, ninguém quer por perto uma pessoa que fique declamando os problemas. Queremos pessoas que resolvam, que sejam positivas, que adotem uma postura de “estamos juntos” e não de “eu avisei”. Apontar problemas não é sinal de competência, resolvê-los, sim. Seja crítico, mas seja resolutivo.

Segundo: execute com visão de mercado. Estamos cheios de gente executando muito e produzindo pouco. Ou pior, executando com um foco de curtíssimo prazo, desperdiçando tempo, energia e oportunidades. Não execute sem perguntar: “qual será o impacto disso?”. E não importa a ação, afinal, o melhor desempenho está nos pequenos detalhes. Um exemplo: o seu cliente está pedindo um grande desconto para fechar um contrato. A sua situação financeira está delicada, boletos precisam ser pagos. Você aceita a negociação ou não? A curto prazo, óbvio que sim. Pago os boletos atrasados e sigo a vida. Porém, pergunte-se: “qual é o impacto disso?”. Possivelmente você vai constatar que esse cliente nunca mais pagará o valor devido e que isso pode se tornar público no mercado e você possivelmente terá, a médio prazo, sua receita prejudicada. E agora, qual será a resposta? E isso se repete em várias situações cotidianas. Além disso, não mergulhe de cabeça em uma atividade sem estudá-la. Existe uma linha muito tênue entre ser pró-ativo e inconsequente. Cuidado!

Terceiro: pegue e faça. Mas faça de verdade. Como adoramos conviver com pessoas que prometem e cumprem. Não sei você, mas e me irrito profundamente com pessoas que passam a vida “correndo atrás do rabo” e não tem a capacidade de rever suas ações. Se dizem especialistas, mas nunca apresentam nada novo, nenhuma opção válida ou pior, não são capazes de olhar os resultados de frente e propor – por conta própria – um plano para mudar o jogo. Obviamente, você não vai segurar por muito tempo essa máscara. Esse é o momento de ser pró-ativo, de olhar para os cenários e ser propositivo. Chega de enrolação, a sua carreira não vai decolar assim.

Quarto: ninguém pode ter pena de você. Eu não consigo entender como algumas pessoas fazem questão de buscar a piedade dos outros. Que necessidade é essa de apoio, de colo? Você não precisa ser nenhum super-herói, mas adotar uma postura de fragilidade como estratégia de aproximação é um tiro no pé. Ninguém vai confiar em uma pessoa que está sempre com dor de cabeça, mau humor, cheia de problemas e com um sentimento de perseguição. Gostamos de lidar com pessoas que demonstram confiança e energia. Queremos energia, boas vibrações e entusiasmo. É bom conviver com pessoas assim. Insisto, não há problema nenhum em demonstrar fragilidade, só não seja a fragilidade em pessoa. Sem confiança, portas fechadas!

Quinto: saia da defensiva. Pelo amor de Deus, pare de se defender. Errou, admita, corrija e siga em frente. Quando você se justifica demais, as pessoas passam a não te ouvir mais. E quando realmente houver justificativa, cairá em descrédito. As suas ações cotidianas generalizam a sua postura. E o pior que pode acontecer em sua carreira é as pessoas desistirem de você. E desistimos de quem não assume seus erros. O que não deu certo e estava sob a sua responsabilidade é responsabilidade sue. Ponto final.

Sexto: troque o puxa-saquismo por resultado. Bajulação é a arte de mascarar a sua ineficiência por meio afago ao ego alheio. Você pode até manter um emprego por meio da bajulação, mas ser digno de respeito, jamais. Respeito se conquista com resultado, ética e competência. Você nunca será respeitado dizendo “sim” para tudo, muito menos concordando com todas as besteiras que o seu chefe diz e faz. Seja íntegro, discorde, apresente suas ideias, brigue, entre em conflito, compre boas brigas. Todos gostam disso? Claro que não! Mas você não vai evoluir ao lado de alguém que gosta de ser bajulado, pois pessoas assim jamais prosperam, afinal ficam presos em seus egos, erros e vaidade exacerbada.

Se você se encontra na fase do “quase lá!”, talvez não encontre resposta nesse texto, mas, sem sombra de dúvidas, não encontrará respostas no acaso. Se pudesse lhe dar um conselho, diria: busque a resposta ai dentro, releia o texto com um olhar crítico, reflita de verdade e de uma vez por todas, permita-se saia dessa posição e trilhar a trajetória que você merece.

Não seja o seu maior sabotador!

Um abraço e sucesso!

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